Europa se insurge contra o passaporte vacinal

Europa se insurge contra o passaporte vacinal

Nos últimos dias, a Europa tem vivido uma onda de protestos populares sem precedentes na história recente do continente. O estopim que motivou a ação concomitante em diversos países foi o estabelecimento do “passaporte sanitário” na região. Os governos apenas aguardaram o fim de um dos maiores eventos esportivos de massa do Mundo – a Eurocopa – para decretarem a toque de caixa a legislação restritiva, a entrar em vigor em Agosto.

Após a declaração de Emmanuel Macron sobre a exigência do passaporte para se frequentar estabelecimentos e transporte público, inúmeros protestos tomaram conta das cidades francesas, iniciando em 13 de julho e evoluindo até a presente data.

A CGT, principal central sindical francesa, se opôs à obrigatoriedade das vacinas e do passaporte [1], e pelo menos um grupo hospitalar no sul do país declarou greve por tempo indeterminado [2, 3, 4]. Vídeos circulam nas redes sociais com demonstrações de grandes proporções em pelo menos 17 cidades francesas: Avignon [5], Bastia, onde se escuta o público gritar “Macron dictateur” [6],  Dijon [7], Lille [8], Marselha [9], Montpelier [10], Nice [11], Perpignan [12], Provença [13], Toulon [14], Toulouse [15], Bayonne, Brest,  Calmar, Nancy [31] e, obviamente, Paris [16…19]. Na pequena Poitiers, manifestantes entraram na prefeitura e rasgaram fotografias dos governantes [31]. Além de protestos nos territórios ultramarinos e colônias francesas de Guadalupe [20], Martinica [21], Reunião [22] e Guiana Francesa [23].

O passaporte diminui consideravelmente o já estrangulado setor econômico dos pequenos e médios negócios. Menos pessoas utilizarão a “economia das ruas” e mais pessoas irão migrar para os setores de consumo e serviços online. Estes já são controlados por grandes conglomerados como Amazon, eBay, Alibaba etc, e por grupos monopolistas ligados à alta tecnologia, como Apple, Facebook, Google e Microsoft. A menor concorrência dos pequenos significa mais concentração e capacidade de controlar preços em favor dos grandes. Não por acaso, foram justamente estes grandes setores os que enriqueceram durante a pandemia, enquanto o povo e os pequenos negócios empobrecem.

Pequenos negócios também começaram a se insurgir contra o passaporte sanitário e eventualmente se encontram manifestações de donos de restaurantes [24], cinemas [25] e até de zoológicos [26]. Esse tipo de manifestação pública é arriscada, já que o dono de estabelecimento que não exigir o passaporte pode pegar até 1 ano de prisão, na França. Mas é o destino crescente de uma classe trabalhadora e de pequenos patrões a caminho da proletarização, que chegam no ponto de nada mais terem a perder a não ser seus grilhões. A desobediência civil se torna a única opção.

Demonstrando sua habitual indiferença para a opinião popular, o parlamento francês votou assim mesmo a favor do passaporte sanitário, no dia 21. Comprovação de vacinação contra covid-19 agora é obrigatória para que se frequente atividades culturais, gastronômicas, transporte público e outros lugares de uso coletivo, e também para profissionais de saúde.

Ironicamente, parlamentares querem ser isentos do passaporte [55]. E obviamente, polícias civil e militar francesas, e demais forças de repressão ligadas ao Ministério do Interior, estão isentas da obrigação do passaporte. O cidadão ingênuo acharia estranho, já que é um grupo de profissionais em contato direto com o público, inclusive contato corporal. Ocorre que, impor a medida sobre os policiais implicaria em perder o apoio dos próprios policiais, e um regime autoritário não pode incorrer neste risco. E assim vai se equilibrando o regime democrático burguês em seu conto de fadas, no qual a categoria de profissionais que não é obrigada a se vacinar usa a força para obrigar o povo a se vacinar [27].

A mesma tendência foi seguida na Itália, e atos foram registrados em Bolonha [28], Milão [29, 32, 33], Roma [34], Trieste [35] e Turim [30]. Também nas cidades espanholas de Madrid [36] e Valencia [37], nas cidades gregas Atenas [38] e Tessalônica [39], e nas cidades inglesas de Londres [40] e Manchester [41]. Nesta última é possível escutar o momento em que os manifestantes pedem a prisão do primeiro-ministro Boris Johnson. Chipre [42], Eslováquia [43], Finlândia [44], Holanda [54], Irlanda [45] e Portugal [46, 47] também viram o povo sair às ruas.

Outros países, fora da Europa, onde a agenda do passaporte vacinal também avança a passos largos, foram inundados por protestos, dentro eles África do Sul [48], Nova Zelândia [49], Israel [53] e as cidades australianas de Sidney [50], Brisbane [51] e Melbourne [52].

Em geral, se percebe a pouca presença de organizações populares tradicionais nesses atos. Um ou outro parlamentar parece tomar a iniciativa de marchar com a população, mas o vazio de partidos políticos no movimento é de um silêncio gritante. A considerar a velocidade com a qual medidas sanitárias duras e sem precedentes são aprovadas rapidamente, não impressiona que todo o espectro político-partidário esteja alinhado ao regime e a oposição parlamentar seja meramente residual. E o vazio partidário costuma ter como consequência o vazio de outras organizações relevantes, que são os sindicatos.

Apenas um vídeo, da manifestação holandesa, mostra uma dessas “novas organizações civis” participando do ato. Trata-se da World Wide Demonstration, entidade que aparece do nada, sem bandeiras, sem parceiros, sem história, com o típico discurso “pela democracia”, “somos independentes de partidos”, “lutamos pelas liberdades” etc. A organização distribuiu bandeiras de todos os países aos manifestantes, e guarda-chuvas amarelos, dando uma aparência cívica e confraternizatória ao movimento. Aparenta ser parte das velhas estratégias utilizadas pela classe dominante, procurando dar o tom e o ritmo das manifestações, na esperança de que as mesmas não se radicalizem.

Os grandes capitalistas estão determinados a passar as agendas restritivas. O capital se acostumou com o novo padrão de acumulação e não pode voltar ao “antigo normal”. Ele não pode reduzir a vigilância contra seus cidadãos. Não pode diminuir restrições. Não pode aceitar o ressurgimento da economia popular. Não pode aceitar a reorganização dos movimentos populares. Permitir isso facilitaria a reorganização dos trabalhadores, pressionando novamente pelo aumento de salários, pressionando pelo surgimento de novas forças políticas, pelo surgimento de novos concorrentes na economia. E o grande capital não pode conviver com uma alta no preço da mão-de-obra, nem abrir abdicar de controlar o mercado e a política.

Isso significa que não darão a menor importância para atos “cívicos”. Rapidamente a população perceberá que precisa endurecer, e já começamos a ver confrontos violentos entre manifestantes e policiais, em todas as partes [56…64]. O tamanho dos movimentos vistos nesses últimos dias evidencia seu potencial de contestação. É importante que eles sejam estimulados para que não se convertam em ações que, embora explosivas, esfriem sem maior consequência. Estamos diante de governos determinados em fazer avançar uma agenda de repressão e tirania. É preciso que os movimentos avancem na direção da derrubada da classe política atual e da imposição do poder popular.

Levante ! Organize-se! Lute!
A hora de Lutar é Agora!

Referências

1: https://www.cgt.fr/actualites/sante/mobilisation/petition-loi-sanitaire-et-regressions-sociales-venir

2: https://cgt-ghpp.fr/fr/actualites/la-mobilisation-continue

3: https://bluecat.media/global-anti-vax-passport-protest-march-compilation-24th-july-2021/

4: https://www.leparisien.fr/societe/covid-19-les-pompiers-concernes-par-lobligation-vaccinale-mais-pas-les-policiers-et-les-gendarmes-13-07-2021-V6KC6KHPRFFN5JW5IERATXR42Y.php

https://twitter.com/LE_GENERAL_0FFL/status/1418580803982868485
https://twitter.com/LE_GENERAL_0FFL/status/1415297824686845954
https://twitter.com/LE_GENERAL_0FFL/status/1415058746166886404
https://twitter.com/LE_GENERAL_0FFL/status/1416387002711302144
https://twitter.com/LE_GENERAL_0FFL/status/1418912519855484934
https://twitter.com/LE_GENERAL_0FFL/status/1418958332371603466
https://twitter.com/LE_GENERAL_0FFL/status/1418939431969509379
https://twitter.com/LE_GENERAL_0FFL/status/1418979677344083978
https://twitter.com/LE_GENERAL_0FFL/status/1415256804540432386
https://twitter.com/LE_GENERAL_0FFL/status/1418889776497844225
https://twitter.com/LE_GENERAL_0FFL/status/1418986013360275460
https://twitter.com/LE_GENERAL_0FFL/status/1416375352889421826
https://twitter.com/LE_GENERAL_0FFL/status/1419062681806458886
https://twitter.com/LE_GENERAL_0FFL/status/1417921086218555402
https://twitter.com/LE_GENERAL_0FFL/status/1418602221185404931
https://twitter.com/LE_GENERAL_0FFL/status/1420277034920685570
https://twitter.com/LE_GENERAL_0FFL/status/1417799900994093058
https://twitter.com/LE_GENERAL_0FFL/status/1419964679980556307
https://twitter.com/LE_GENERAL_0FFL/status/1419017183607283726
https://twitter.com/LE_GENERAL_0FFL/status/1419010880281382915
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