Transporte público gratuito gera riqueza
SÓ A BURGUESIA QUE "NÃO SABE"

Transporte público gratuito gera riqueza

Marcos W. Lima

Alguns se perguntam, por que temos poucas ferrovias no Brasil para transportar mercadorias e gente? Um país tão grande poderia ser integrado de Norte a Sul, de Leste a Oeste por uma malha ferroviária extensa para transportar produtos agrícolas, industrializados e, também pessoas.

Já imaginaram um trem de alta velocidade ligando as capitais do Brasil? Ou, pelo menos interligando as cinco regiões? Quantos acidentes seriam evitados, quanto petróleo seria economizado, quanta poluição deixaria de existir? Quantos lugares do Brasil os brasileiros poderiam conhecer? Ir para as praias do Nordeste de trem com a família inteira, ir da Amazônia para uma Festa da Uva no Sul do país. 

Mas por que isso não acontece?

A explicação óbvia e que todos praticamente sabem a respostas é de que existem interesses econômicos, interesses de lucros privados grandiosos por trás de tanto desperdício com transporte rodoviário e aéreo. 

Vão dizer que uma ferrovia é de um custo altíssimo. É verdade, mas se colocarmos na ponta do lápis os gastos totais que se têm com o transporte rodoviário, no fim das contas vamos ver que as ferrovias ficam baratas para o país e para o povo. Tão mais baratas que é possível e interessante para um país manter o transporte de passageiros gratuitamente e um preço reduzido para as tarifas de mercadorias.

Mas vamos além. Além do transporte rodoviário de passageiros gratuito ficar mais barato para o país e para a cidade do que o transporte privado e pago, já pensou em quantos carros e motos deixariam de trafegar? Abaixaria a queima de petróleo, a poluição e os acidentes de trânsito que custam uma fortuna ao Estado. No total seria uma grande economia, uma grande vantagem para a natureza e um benefício coletivo muito amplo.

Não à toa que em mais de 100 cidades mundo afora, o transporte público é gratuito. É o que passou a acontecer, a partir de 2020, em Olympia, capital do estado de Washington nos Estados Unidos.

Mas os capitalistas de Olympia são mais bonzinhos que os do resto do país?

Não! Fizeram os cálculos e viram que seria mais econômico não montar um sistema de cobrança dos passageiros deixando-os assim trafegarem nos ônibus livremente. Em um mês o número de passageiros aumentou em 20%, ou seja, as pessoas tinham necessidade de se deslocarem, mas não o faziam porque o sistema era pago.

Em 2019, também nos Estados Unidos, Kansas City, no estado de Missouri, implementou um sistema universal de isenção de tarifas, o que, nas palavras do prefeito, Quinton Lucas, “permitiu aos cidadãos do Kansas acessar oportunidades de emprego e educação – o que leva a uma melhor qualidade de vida e, portanto, melhor saúde para nossa comunidade”. 

Outras grandes cidades dos Estados Unidos, como Los Angeles, Salt Lake City, Denver e Boston estão debatendo a viabilidade e necessidade da gratuidade do transporte público de passageiros. Em Nova York já existe o Programa de Tarifas Justas, em que os cidadãos de baixa renda pagam o metrô pela metade do preço. É interessante começar a pegar os exemplos a partir dos Estados Unidos porque ali é o coração do capitalismo e, portanto, não se pode dizer de forma alguma que seja uma coisa de “comunistas”.

Trem andando nos trilhos

Descrição gerada automaticamente


Em Luxemburgo, um pequeno país europeu com 2.586 km², localizado entre a Bélgica, Alemanha e França, todo o transporte público é gratuito. Um compromisso com a mobilidade sustentável que visa reduzir drasticamente o tráfego de automóveis particulares. 

Manises, uma cidade na Espanha com um pouco mais de 30 mil habitantes, na província de Valência tem o seu transporte público gratuito.

A histórica Tallin, capital da Estônia, com cerca de meio milhão de habitantes também, tem o transporte público gratuito desde 2013.

Em Voronej, na Rússia, tem ônibus gratuito a cada 30 minutos. Serviço que funciona desde 2003. Halsselt, na Bélgica, com 72 mil habitantes o transporte público gratuito vinha desde a década de 1990, mas em 2013 a prefeitura restringiu o serviço para os menores de 19 anos. Em Ploiesti, na Romênia, o transporte é gratuito para os cidadãos que têm uma renda inferior a aproximadamente 670 euros por mês. Em Colomiers, na França, desde 1971 seus cidadãos tem passe livre nos ônibus.

Metrô é o melhor sistema de transporte do mundo

Sem o risco das ruas, sem engarrafamento, sem perda de tempo, sem raiva, sem preocupação com localização ou com o trajeto, sem poluição do ar, sem barulho, facilidade no acesso para deficientes e idosos, rapidez, ar-condicionado, banheiro, Wi-fi…, todas essas qualidades estão nos melhores metrôs do mundo. E mesmo que não se tenha todas elas, as vantagens sobre o transporte rodoviário são enormes.

O metrô de Seul, na Coreia do Sul, é uma maravilha, desde o valor da tarifa até a acessibilidade dos passageiros, tudo funciona perfeitamente, contando até com aquecimento dos bancos durante o inverno. Seguem-se a ele o metrô de Xangai, na China, o Metrô de Tóquio no Japão, o Metrô da Cidade do México e o Metrô de Londres. O metrô de Pequim, na China, que é muito bom, mas não está entre os cinco melhores do mundo transporta 38 bilhões de passageiros por ano. O metrô de Londres (“The Tube”) é considerado um exemplo no trato com os animais de estimação. Eles podem ser transportados gratuitamente, tem regras, claro e também ganha em muitos quesitos de conforto como ventilação nas estações e número de banheiros para os passageiros. (Fonte: https://www.essentialliving.co.uk/blog/the-worlds-best-subway-systems-revealed).

Metrô parado na estação de trem

Descrição gerada automaticamente

O metrô de Hong Kong também merece elogios dos usuários pela sua limpeza, acessibilidade com piso tátil e placas em Braille para deficientes visuais. Tem Wi-fi gratuito e de qualidade em toda sua extensão de 211 quilômetros e 150 estações, para os 3,4 milhões de passageiros por dia.

O metrô de Paris tem 87 quilômetros de trilhos e transporta mais de 1,5 bilhão de passageiros por ano. Está precisando de algumas melhorias técnicas, mas é eficiente e seria impossível pensar no trânsito da cidade sem as 245 estações e 14 linhas que o compõe o metrô da capital francesa.

Madri que é uma cidade de aproximadamente 6,5 milhões de habitantes tem um metrô de 294 quilômetros e mais 386 quilômetros de serviços ferroviários suburbanos.  As 396 estações são grandes e algumas são consideradas espaços públicos para eventos culturais. Além disso, tem o maior número de escadas rolantes do mundo: 1.656.

O metrô de Nova York funciona 24 horas por dia e mesmo que haja obras tudo é planejado para não prejudicar os usuários. São famosas e não fantasiosas as apresentações de artistas de rua nas estações deste metrô.

E por falar em grandiosidade, o sistema ferroviário de Tóquio é de deixar qualquer um impressionando: pontualidade, limpeza, rapidez estão nas 102 linhas que transportam aproximadamente 14 bilhões de passageiros por ano.

A luta pelo transporte público de qualidade

No Brasil, gostamos de falar do que é bom lá fora e optar pelo que possa ser o pior. Evidentemente que essa não é uma escolha democrática dos cidadãos brasileiros. Nós gostamos do que é bom e gostaríamos que nosso país estivesse em primeiro lugar no quesito transporte público como o somos em riquezas naturais e grandiosidade territorial.

Multidão de pessoas

Descrição gerada automaticamente com confiança média


Não podemos considerar que exista de fato no Brasil um sistema público de transporte. Praticamente todo modal rodoviário está concentrado nas mãos de poucas famílias que recebem concessões não transparentes, cobram caro dos usuários e oferecem um serviço muito ruim. Afinal, ao capitalista o que interessa é o lucro a qualquer custo em cima justamente dos que já estão excluídos de qualquer tipo de benefício que o sistema possa oferecer. O que temos de transporte metroferroviário é vergonhoso diante do que se vê em outros lugares do mundo.

A ilusão plantada pela grande indústria do petróleo em torno do automóvel como um meio de transporte e de glamour está escorrendo entre os dedos da classe trabalhadora. Apesar de muitos terem conseguido adquirir seu carro próprio em detrimento até mesmo da casa própria, este sonho-ilusão está se distanciando novamente diante da crise capitalista mundial que traz consigo inflação, desemprego e mais miséria. Sem falar que a expansão da aquisição do automóvel não melhorou a mobilidade de pessoas em termos absolutos. Pelo contrário, só o número de acidentes no modal rodoviário indica graves prejuízos às pessoas e ao país, sem falar nas graves consequências ecológicas.

Somas enormes de recursos têm sido gastas, desde que o automóvel se tornou “popular”, para infraestrutura, abertura de novas ruas, alargamento de outras, construção de viadutos, túneis, pavimentação, planejamento de tráfego, sinalização, etc. Isto leva-nos a perguntar: vale a pena? A quem interessa esses bilhões em obras que nunca terminam ou que duram muito pouco? As obras em infraestrutura de trânsito para automóveis têm levado à intervenção na vida de muitas pessoas que estão ali no caminho onde a avenida tem que ser transformada de 2 para 4 pistas ou mais, sob a justificativa de melhoria do fluxo. Sempre um belo negócio para grandes capitalistas, empreiteiras e políticos aliados.

Apesar de que em muitas profissões ter um automóvel não ser luxo, mas uma necessidade, dada a precariedade do transporte público, os trabalhadores brasileiros sempre quiseram ostentar um carro novo e conservado na garagem ou pelas ruas. Além disso, possuir um carro nunca deixou de dar status ao seu dono. Mas isso pode ser para todos?

Uma imagem contendo no interior, teto, pessoa, em pé

Descrição gerada automaticamente

É possível um transporte público gratuito gerando muito mais riquezas que gastos, beneficiando muito mais pessoas que sacrificando seus parcos ganhos principalmente nas grandes cidades. A gratuidade do transporte público é viável mesmo do ponto de vista da economia capitalista. Alguém vai pagar a conta, claro, o Estado que arrecada com impostos e deve aprimorar essa arrecadação, por exemplo, taxando as grandes fortunas. Os países onde as pessoas vivem melhor não são aqueles onde existem os mais ricos do mundo, mas onde a distância entre os mais ricos e os mais pobres é reduzida.

Se queremos uma cidade para todos, a gratuidade do transporte público é fundamental. Quantos não acessam espaços de lazer e cultura porque não podem ter mais um gasto com transporte? A luta pelo transporte público de qualidade não pode ser uma exclusividade dos metroferroviários ou dos rodoviários, deve ser de toda a população, principalmente, daqueles que dependem diretamente desses meios de mobilidade. 

Os trabalhadores metroferroviários devem considerar em suas lutas, o envolvimento direto desses setores, implantando formas mais abertas de luta que essencial e principalmente passa pela proposta de liberação das catracas e outras formas de barreiras e cobranças. Implementando na luta a gratuidade do transporte público e quebrando o discurso hipócrita da Justiça, dos governos e empresários de que as lutas dos trabalhadores no transporte prejudicam a população.

Vamos transportar todos de graça e convocá-los a se mobilizarem para essa tarefa. Só assim romperemos com o isolamento que a grande imprensa burguesa tenta nos impor e abrir o caminho para quebrar a lógica do capital.

Levante ! Organize-se! Lute!
A hora de Lutar é Agora!

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