Eleições no Chile: Boric venceu
O MESMO ARROZ COM FEIJÃO, MAS SEM CARNE!

Eleições no Chile: Boric venceu

Na segunda volta das eleições presidenciais no Chile, houve um 10% a mais de votantes que a população que normalmente vota nessas eleições, ou quase 8.350.000 votos válidos. https://www.servelelecciones.cl/

O abstencionismo foi de aproximadamente 45%, aparentemente alto, mas o percentual mais baixo desde o retorno à “democracia”.

Os votos brancos e nulos foram de aproximadamente 90 mil.

A eleição foi definida em Santiago devido ao volume de votos e ao peso político.

Nos 900 mil votos de diferença que teve Gabriel Boric estão compreendidos vários setores, desde o Partido Comunista e anarquistas até a Democracia Cristã. O Partido Comunista não tem nenhuma vocação de poder.

No governo Boric, estão representadas as várias frações da burguesia. Ele tem sido caracterizado como um governo de transição, à espera da nova Constituição. Portanto, é um governo fraco e que inevitavelmente enfrentará muitas decepções em breve.

O atual presidente, Sebastião Piñera, cumprimentou Boric que disse que se sentiu muito honrado pelos parabéns.

A capacidade de manobra do governo Boric é baixa. No Congresso haverá dificuldades para passar qualquer reforma importante. Isso valeria também para Kast, mas para este governo a fraqueza fica ainda mais evidente

Kast venceu em quase todas as regiões do Sul, onde as contradições sociais são maiores e repúdio popular também é maior, e numa região do Norte. Em todas as demais regiões venceu Gabriel Boric, um jovem de 35 anos de idade e ex-líder estudantil.

Um governo de crise

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A política de contraposição, uma espécie de “frente ampla” a la chilena, com a extrema direita venceu. Foi uma política de terror, de medo que representou uma vitória do sistema.

Mas deve ficar claro que Apruebo Dignidad (a coalisão de Boric) venceu com um programa de direita e um discurso de direita, mais ou menos camuflado pela demagogia.

É evidente que a crise não tardará em manifestar-se. As contradições políticas e sociais só poderão aumentar.

Dentre outras amarrações, Chile mantém hoje 27 tratados de livre comércio que devem ser mantidos. Representam correntes que somente podem ser rompidas por meio de um levante popular.

Mais uma vez ficou evidente que o estado burguês e as eleições não somente têm dono, mas que o dono da América Latina é o imperialismo norte-americano, que a considera como seu quintal traseiro.

O aperto dos regimes políticos no geral, na região, aparece como reflexo do aperto do imperialismo no sentido do aumento da espoliação.

O chamado “progressismo” foi baixado dos governos em quase todos os países latino-americanos. Agora está voltando como bombeiro da revolução, dado o enorme e crescente descontentamento social. E volta muito mais direitizado.

Exatamente a mesma política foi aplicada recentemente no Peru. O enquadramento das lutas na institucionalidade foi realizado por meio de um sindicalista, Pedro Castilho. Essa via, que representa uma importante manobra do imperialismo, é um aumento da demagogia em relação ao que aconteceu na Bolívia com Luis Arce. Arce era o ministro de economia de Evo Morales que impulsionava, junto com o vice-presidente, García Liñera, a entrega dos recursos naturais aos monopólios.

No Brasil, há a tentativa de usar Lula muito direitizado numa “frente ampla” que inclui até o ex governador de São Paulo, o membro do Opus Dei Geraldo Alckmin, como vice, para canalizar o movimento de massas pela via institucional. Mas é evidente que o Lula de hoje está muito mais à direita que o Lula de 1989, mesmo o de 2002. 

A contraposição contra Bolsonaro, a extrema direita de massas, segue o mesmo script do Chile. Mas neste caso, além de passar bombeiros direitizados, disfarçados de “esquerda”,  há a tentativa de passar de contrabando a “terceira via” da extrema direita institucional, encabeçada pelo próprio ex juiz Sérgio Moro de preferência. Ainda com uma enorme direitização do Congresso e governos dos estados.

Na Argentina, enquanto a crise escala a mil por hora, todos os componentes do regime político se tornaram defensores do FMI (Fundo Monetário Internacional) que voltou a cumprir o papel de um dos principais mecanismos de espoliação do país por parte do imperialismo.

À esquerda revolucionária são impostos desafios importantes

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O principal problema que a esquerda revolucionária deve plantear-se nesta etapa política, é a acumulação de forças no contexto da América Latina. 

No caso do Chile, o novo governo Boric começa com o apoio de um setor importante da população que inclusive está comemorando a vitória eleitoral nas ruas. No Brasil, Lula mantém um importante apoio eleitoral nas camadas mais pobres da população, principalmente no Nordeste.

Todos os setores do regime tentam apresentar que o governo Boric seria supostamente a continuidade (institucional) da rebelião popular. Mas, ao mesmo tempo, da mão dos resultados da Convenção Constitucional espera-se que este governo traga soluções.

No Brasil, a ideia é apresentar que Lula poderá dar continuidade aos programas sociais no contexto da brutal crise capitalista.

A interrogação que ficou em aberto no Chile é que a rebelião popular, onde aconteceu a combinação de várias formas de luta, não conseguiu vencer, mas o repúdio contra o sistema é enorme, e é refletido no alto abstencionismo. Como responder a isso?

É preciso levar a estratégia e tática revolucionárias à prática concreta, traduzidas em políticas concretas que possam canalizar o descontentamento popular, por fora dos canais institucionais das classes dominantes.

É preciso fortalecer a propaganda revolucionária e com caráter regional, pelo menos, para contrapô-la à campanha de desinformação da burguesia.

Esse trabalho, junto com o trabalho dos Direitos Humanos, com os estudantes e mulheres nos permitirá, permitirá elevar o trabalho ao patamar capaz de torná-lo uma força política central.

É preciso que a política revolucionária chegue aos trabalhadores, ao movimento popular, aos estudantes.

É preciso fortalecer e legitimar a autodefesa do povo, conforme ficou evidente na rebelião popular do Chile.

O governo social-democrata pró-imperialista deve ser deixado despido, com todas as suas contradições. A partir daí, formar uma base de resistência que possa se transformar na base de uma nova ofensiva popular.

É preciso fortalecer a colaboração internacionalista, a unidade com outras forças revolucionárias internacionalistas. A luta não pode ser vencida num único país no contexto da escalada da agressividade imperialista, apesar de que um determinado país pode acender a faísca.

Levante ! Organize-se! Lute!
A hora de Lutar é Agora!

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