A 45 anos do sanguinário golpe militar na Argentina

A 45 anos do sanguinário golpe militar na Argentina

No dia 24 de março de 1976 aconteceu um dos golpes de estado mais sanguinários de toda a história.

O saldo de desaparecidos foi mais de 30 mil pessoas de acordo com os números oficiais, além de centenas de milhares de presos políticos e torturados.

O golpe na Argentina não foi tão “barulhento” como o golpe encabeçado pelo general Pinochet no Chile, onde houve bombardeios, não somente da Casa da Moeda, mas também de fábricas.

A maior parte da população se deu conta de que tinha acontecido um golpe de estado à tarde ou à noite.

O golpe militar encabeçado pelo general Jorge Rafael Videla escalou, e muito, as ditaduras do general Onganía que acabou sendo liquidada pelo ascenso operário e de massas que se abriu com o “Cordobazo” em 1969.

O governo de Juán Domingo Perón (uma espécie de Getúlio Vargas argentino) cumpriu o papel de conter o ascenso de massas e revolucionário. Os esquadrões da morte, a Triple A, foram organizados pelo próprio general Perón e operacionalizados pelo ministro López Rega.

A Triple A fez sua estreia no Massacre de Ezeiza, no próprio retorno de Perón à Argentina, quando metralharam manifestantes da ala esquerda do peronismo, que acabaram formando os Montoneros.

Por que aconteceram esses golpes de Estado ultra sanguinários?

Os golpes de estado na América Latina tiveram como objetivo conter o ascenso de massas e revolucionário que tinha se aberto com a Revolução Cubana de 1959 e que tinha escalado a partir de 1968, principalmente com a crise mundial de 1974.

O surgimento de organizações revolucionárias de combate na região era incompatível com a política muito agressiva do imperialismo norte-americano que buscava impor o controle total.

Para derrota-las o imperialismo avançou com políticas abertamente militares a partir da Operação Condor e com políticas de contra-insurgência que representavam a resposta militar para a crise.

A política de terra arrasada não conseguiu ser enfrentada pelo MIR (Movimento de Esquerda Revolucionária) no Chile que viu o partido que chegou a ter 50 mil membros, entre militantes e apoiadores, ruir em dois anos, principalmente após o assassinato de Miguel Enríquez, o principal membro da direção em 1974, e de outros importantes dirigentes.

Na Argentina, o PRT liderado por Mario Roberto Santucho, que contava com seis mil militantes e aproximadamente mais 15 mil apoiadores, dirigia o ERP (Exército Revolucionário do Povo) também não conseguiu entender rapidamente a mudança da situação política nem a própria experiência dos acontecimentos do Chile, apesar de que o irmão de Miguel Enríquez, Edgardo, participou de várias reuniões do Comitê Central do PRT.

O MIR e o PRT encabeçaram a Junta Coordenadora da qual também participavam o ELN boliviano e os Tupamaros uruguaios.

O que devemos aprender com o golpe militar na Argentina?

A “esquerda” oficial tenta nos convencer que os golpes militares seriam coisa do passado. Essa “esquerda”, depois de ter se integrado com mala e cuia à “democracia imperialista” desde os anos de 1980 (passou a cuidar dos próprios negócios a mando do imperialismo), agora se incorporou também com mala e cuia, ao golpismo.

Hoje seja no Chile, no Brasil, na Colômbia, no México e principalmente no Chile, está sendo colocado em pé um arcabouço jurídico muito mais reacionário que o que Pinochet ou Videla elaboraram, que tem avançado com o apoio ativo da “esquerda” oficial.

No Chile, o pinochetismo continuou em pé com a “democracia” pinochetista. Durante os governos da Concertación, apoiados por toda a “esquerda” oficial foram assassinados muitos mais Mapuches que durante a Ditadura; isso sem mencionar o entreguismo generalizado dos serviços públicos e dos setores estratégicos da economia aos grandes capitalistas.

No Brasil, há muitos mais oficiais das forças repressivas que participam do governo Bolsonaro que os que participavam durante o governo de Garratazu Médici.

Os governos atuais na América Latina são muito similares ao de Isabelita Perón que abriu caminho à Ditadura Militar, apesar das manobras temporais que acontecem em alguns países como Bolívia ou Equador.

As ditaduras brutais já estão em pé hoje e avançam para impor a política central do imperialismo norte-americano: massacrar os povos latino-americanos para estabilizar as taxas de lucro.

O papel dos verdadeiros revolucionários e anti-imperialistas é organizar a resistência política, na teoria e na prática. No próximo período, a brutalidade dos ataques, colocará em pé um grande ascenso de massas. Está colocado o enfrentamento aberto entre a burguesia e os trabalhadores; cada campo escolhe e escolherá a suas próprias armas.

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