A visão do PCPB sobre a Situação Política Internacional

A visão do PCPB sobre a Situação Política Internacional

Publicação original em: PCPB (Partido comunista do Povo Brasileiro)

  1. A crise capitalista mundial avança aceleradamente rumo a um novo colapso capitalista mundial, dentro da crise atual que de acordo com a própria grande imprensa é a maior crise capitalista de todos os tempos. A burguesia mundial se encontra estupefata e é incapaz de colocar em pé uma política alternativa ao chamado “neoliberalismo”, dado os gigantescos volumes de capitais fictícios, diretamente alocados na especulação financeira, que hoje somam entre 20 e 40 vezes a produção mundial que já é muito parasitária;
  2. A pandemia do Coronavírus é um evento de maior relevância, mas em grande medida está sendo utilizado como máscara para ocultar a crise, salvar os grandes capitalistas e ainda fazer do sofrimento dos povos um grande negócio para os laboratórios;
  3. Os repasses de recursos públicos aos grandes capitalistas têm sido obscenos. Somente nos Estados Unidos no último ano somam em torno a US$ 9 trilhões, ou seis anos da produção do Brasil. Na União Europeia, superaram os 3 trilhões de euros. Isso sem considerar os mecanismos tradicionais de repasses, como as taxas de juros quase zeradas;
  4. Conforme Lenin escreveu no célebre livro de 1916, O Imperialismo Fase Superior do Capitalismo, esta é a última etapa do capitalismo. O grande capital só funciona hoje como capitalismo de Estado, e cada vez mais se engasgando apesar dos repasses obscenos de recursos públicos;
  5. A chamada ‘Quarta Revolução Industrial”, que seria o crescimento dos investimentos tecnológicos impulsionados pela crise, aumenta a composição orgânica do capital e exacerba todas as leis do capital, que encontra dificuldades cada vez maiores para extrair lucros da produção;
  6. A principal lei do capitalismo, a extração da mais-valia, que é a exploração da mão de obra ou força de trabalho, representa o principal entrave para o capitalismo, principalmente por causa da apropriação privada dos lucros; 
  7. Os setores de ponta da classe operária continuam representando o agente revolucionário fundamental para sepultar o capitalismo em crise terminal, ao contrário do que apregoa a propaganda imperialista e que a esquerda oportunista ecoa. Existem bilhões de operários de ponta no mundo: aproximadamente 350 milhões na China e pelo menos outro tanto no restante da Ásia.
    Na Europa e nos Estados Unidos, apesar do seu número ter diminuído após a migração de plantas industriais inteiras dos países centrais para os países asiáticos, a partir da década de 1980, estes setores ainda constituem entre 15 a 20% da população. Na Alemanha e nos países do Leste Europeu, que atuam como uma extensão da cadeia de produção alemã, a porcentagem é muito maior.
    No México, após a movimentação de setores industriais a partir da crise de 2008, o número de operários de ponta cresceu significativamente, principalmente nos setores relacionados com a indústria automotiva orientada ao mercado dos Estados Unidos. No Brasil, há pelo menos 30 milhões de operários industriais ou que agregam valor;
  8. O desenvolvimento tecnológico somente poderá ser destravado liberando-o das amarras do capital. As contradições entre a propriedade privada e a socialização da produção, e entre a globalização dos processos produtivos e os Estados nacionais, coloca que somente a revolução socialista continental e mundial pode ser a saída à crise capitalista mundial, o que implica na expropriação do grande capital;
  9. A crise capitalista mundial de 2008 ainda não se fechou. E muito menos não se fechou a crise que estourou em março de 2019 semi camuflada pela pandemia, que sido tratada fundamentalmente como uma política militar de controle das massas pela burguesia. E essa política estava preparada e massificada fazia tempo. Hollywood, por exemplo, teve um papel central com vários filmes que muitos anos antes reproduziam a situação atual quase ao pé da letra: vejam por exemplo, o filme Contágio de 2013 que nas últimas semanas tem sido passado várias vezes na HBO.
  10. As políticas de contenção, que basicamente se concentraram em enormes repasses de recursos públicos ao grande capital, começaram a se esgotar em 2012 e muito significativamente a partir de 2015. Agora, aparece claramente no horizonte um novo colapso capitalista mundial, muito mais violento que o de 2008, tanto por causa da ação do gigantesco parasitismo como pelo enorme endividamento generalizado, principalmente dos Estados burgueses e das grandes empresas capitalistas. Na América Latina o Brasil e a Argentina deverão sair na linha de frente da crise;
  11. A crise econômica tem levado os regimes políticos à maior crise de Pós-Guerra:
    1. Na Inglaterra, o chamado Brexit (a saída da Grã Bretanha da União Europeia) revela a incapacidade de todos os setores da burguesia inglesa de oferecer uma saída à crise, seja qual for;
       
    2. Na França, Emmanuel Macron, que foi imposto pela família Rothschild para aplicar enormes ataques contra os trabalhadores, teve um certo sucesso na privatização das ferrovias e na imposição da reforma trabalhista por decreto, apesar de contar com a maioria no Parlamento. Mas sob a pressão do movimento dos “coletes amarelos”, precisou fazer exatamente o contrário ao que era a sua política, para conter a revolução: aumentar os salários e retirar o aumento dos combustíveis.
      Em 2019, o déficit público ficará muito acima dos limites da União Europeia que é de 2%,  subindo para 3,2%. Mesmo assim, os protestos continuaram e hoje continuam contra a Lei da Segurança Nacional que busca estabelecer como política de estado o anti-terrorismo contra a população;
    3. Na Itália, o regime político está caindo aos pedaços, como reflexo da crise econômica. O bipartidarismo, que representa o mecanismo preferencial de controle do regime pelo grande capital, entrou em crise terminal assim como acontece em quase todos os principais países. A crise tem escalado a níveis tais, que o ex presidente do BCE (Banco Central Europeu) Mario Draghi foi imposto como primeiro ministro para salvar os grandes capitalistas;
    4. Na Espanha, Portugal e Irlanda a crise é monumental. As condições de vida dos trabalhadores caíram pela metade desde o início da década passada;
    5. A Alemanha, que é coração da Europa, entrou em recessão e a estabilidade política a partir da CDU/CSU, de Angela Merkel, está quase implodida, com os fascistas ganhando posições;
    6. No Japão, que é uma das duas grandes potências imperialistas industriais, junto com a Alemanha, o regime se mantém com muitas dificuldades, às custas do superendividamento do Estado. A saída da crise é buscada pela burguesia no ressurgimento do militarismo fascista;
  12. Nos Estados Unidos, Donald Trump não conseguiu entregar o que o grande capital em crise exigia: uma guerra importante. Os 15 elementos mais próximos a Trump foram apeados do governo e substituídos por elementos muito próximos ao chamado Deep State, ou “estado profundo” controlado a sangue e fogo pelo grande capital, mas isso foi insuficiente.
    Nas eleições presidenciais, os “democratas” foram impostos por meio muito mais fraudulentos que os que tinham imposto o próprio Trump. Os negros, gays, imigrantes e mulheres no novo governo que boa parte da “esquerda” mundial elogiou, mantêm ligações muito próximas com o complexo industrial militar;
  13. O aumento das contradições do imperialismo norte-americano vai muito além da imposição de guerras de tarifas contra a China. A guerra econômica tende a evoluir rapidamente para a guerra política que, por sua vez, tende a evoluir para a guerra militar;
  14. A China é um fator fundamental da política mundial. A locomotiva do mundo enfrenta grandes dificuldades para conter a escalada da crise. Para enfrentar o desenvolvimento das tendências revolucionárias se vê obrigada a impulsionar o expansionismo no sentido de ela própria se tornar uma potência imperialista:
    1. As duas políticas chinesas fundamentais são o “Novo Caminho da Seda” (vias rápidas para o envio de mercadorias à Europa com a inclusão dos países intermediários, e a Rússia atuando como pivô) e o Made in China 2025; 
    2. Essas duas políticas a coloca na linha de frente das contradições, principalmente com o imperialismo norte-americano, que não pode aceitar ver questionado o seu controle tecnológico do mundo. Os casos envolvendo as gigantes das telecomunicações como a Huawei e a ZTE têm evidenciado essas contradições de maneira muito clara. Está em jogo o controle do mercado mundial, que até agora sempre foi resolvido por meio de grandes guerras;
  15. O aprofundamento acelerado da crise na China, com o estouro de uma das bolhas, como a imobiliária, a do consumo ou a das chamadas empresas zumbis, tem o potencial de jogar os países exportadores de matérias primas e de toda a região Pacífico da Ásia em enorme crise, detonando uma profunda crise mundial;
  16. Os investimentos diretos dos chineses passaram a representar um componente fundamental da economia mundial. Para salvaguardá-los, a China passou a estabelecer bases militares em várias regiões do mundo. A primeira foi em Djibuti, a segunda na Argentina. Está estabelecendo bases no Afeganistão e na Ásia Central. O imperialismo norte-americano tenta se contrapor a essa política com ataques em todas as frentes, a partir da política do chamado Full Spectrum Dominance (Domínio Total do Espectro), de 2001, que levou o Pentágono a aplicar a metade dos recursos na região Ásia/Pacífico justamente para conter o expansionismo chinês;
  17. Conforme Lenin escreveu no livro de 1916, o imperialismo também é uma época de guerras e revoluções. O aumento das contradições entre o imperialismo norte-americano e a China/Rússia faz parte da luta por uma divisão do mercado mundial, o que sempre tem acontecido por meio de guerras sangrentas;
  18. A disputa entre as potências capitalistas está levando o mundo a uma guerra mundial que adota, por enquanto, a forma de guerras regionais. O imperialismo norte-americano tem sofrido derrotas recorrentes nos quatro cantos do planeta e, por esse motivo, ele busca fortalecer o controle da espoliação da América Latina e expulsar a China e a Rússia da região;
  19. O imperialismo se sustenta precariamente semeando guerras localizadas pelo mundo afora, utilizando uma enorme e caríssima máquina bélica e, para isso é obrigado a atacar até mesmo as condições de vida dos trabalhadores dos seus países de origem, já que nem sequer os recursos que canaliza a partir do narcotráfico e outros mecanismos “ilegais” lhe tem sido insuficientes;
  20. O grande capital em crise nos direciona a uma nova e grande guerra como a “saída” capitalista à crise. Há várias zonas de conflito críticas, como o Oriente Médio, a Ucrânia e a agressividade da OTAN contra as fronteiras ocidentais da Rússia, e o Mar do Sul da China.
    O imperialismo tinha rebaixado parcialmente a presença no Oriente Médio, na Ásia Central e no Sul da Ásia para se concentrar na América Latina. O objetivo do governo Trump era se fortalecer para empreender novos voos. Agora com os novos “senhores da guerra” parece que a agressividade dos governos Bush que foi mantida de maneira semi camuflada por Obama deverá ser retomada;
  21. A agressão militar contra a Venezuela é um dos componentes dessa política, até porque se trata do aumento das contradições com os russos e os chineses. Mas a agressividade tem se manifestado contra toda a região. A Operação Lava Jato por exemplo, cumpriu um importante papel nesse sentido;
  22. A imposição de ditaduras militares sangrentas a partir do Brasil tem como objetivo conter o movimento de massas e, ao mesmo tempo, fortalecer os planos guerreiristas. Hoje nos encontramos num período em que os regimes estão sendo fechados de maneira acelerada;
  23. Em grande medida, o modelo que está sendo imposto no Brasil segue o modelo da “democracia” pinochetista chilena que levou ao maior levante de massas em 60 anos na região;
  24. A crise na Argentina e no Brasil avança a passos largos, alastrando toda a região, sob a pressão parasitária do imperialismo norte-americano. A disparada do peso argentino e da inflação se tornarão em breve na norma, porque não será possível rolar o crescente endividamento público e privado que tem se transformado no principal mecanismo de espoliação. Uma volta à década de 1980 piorada;
  25. Por causa da profundidade da crise, os mecanismos tradicionais de contenção do movimento de massas têm se desagregado. A crise econômica tem levado ao endurecimento dos regimes políticos no mundo inteiro que tendem ao bonapartismo. O grande capital impulsiona o fascismo e os golpes militares para manter o controle;
  26.  A tendências orgânicas que surgiram após amplos movimentos espontâneos de massas, como o Syriza na Grécia e o Podemos na Espanha, rapidamente se adaptaram ao regime e foram à direita;
  27. Os mecanismos de contenção da classe operária, estruturados no “pacto corporativo” (Estado-Capital-Trabalho), se encontram esfacelados. A burocracia dos sindicatos e das organizações de massas que era um dos pilares desde a ex-URSS, se encontra em fase terminal; agora a contenção se dá diretamente utilizando o aparato do estado burguês, vide a repressão aos coletes amarelos na França;

Os trabalhadores ainda se encontra semiparalisados, mas já apresentam sinais de que não irão suportar os brutais ataques colocados, que tendem a ser cada dia maiores. A continuidade das mobilizações no Chile, na França e no Haiti, junto com algumas mobilizações em Myanmar e outros países representam apenas o descontentamento que se torna mais generalizado a cada dia.

Estão colocados para o próximo período grandes ataques e grandes enfrentamentos. O nosso papel como revolucionários é organizarmos a resistência a partir da organização dos trabalhadores e do povo.

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