O Roundup (da Monsanto) mata
Sérias pesquisas, quase sempre negligenciadas pelas autoridades, foram mostrando a relação entre o uso do Roundup e diversas doenças como Alzheimer, autismo, anencefalia, câncer (cerebral, de mama, intestinal etc.), diabetes, depressão, doenças cardíacas e hepáticas, doença de Parkinson, doenças respiratórias e muitas outras.

O Roundup (da Monsanto) mata

Por Marcos Lima

Arnaldo Alves tem 55 anos e mora no município de Caculé, no sul da Bahia. Trabalhador rural desde o dia que nasceu, até a década de 1980, tinha a enxada como sua principal ferramenta de trabalho. O machado, a foice e o ferro de cortar arroz também eram suas ferramentas, embora menos usadas.

Até essa época, praticamente não se usava adubo para nenhuma das plantações como arroz, feijão, milho, mandioca ou fumo. Escolhia-se as boas terras e nela cultivava-se dez, doze ou mais anos. Em seguida, eram transformadas em pastagens. Arnaldo tem oito irmãos; 5 mais velhos e 3 mais novos que ele. Todos roceiros. Homens e mulheres. Meninos e meninas. Em 2020, só ele continua na lavoura; os outros foram trabalhar em cidades próximas.

A capina das roças de milho, feijão e arroz aconteciam nos meses chuvosos de outubro, novembro e dezembro. Janeiro ainda chovia muito. Todos faziam troca de dia, a turma toda, uns 20 ou 30 homens faziam aquele mutirão e capinavam uma roça em dois ou três dias; dependia do tamanho e das exigências do dono. Mas o dono das terras era o fazendeiro, proprietário de 100, 200, 300 alqueires (mineiros) ou mais, que arrendava a troco de um terço do que era produzido.

O trabalhador rural fazia tudo, da preparação da terra, cerca, plantio, capina, colheita até colocar no paiol do proprietário de terras. Este não precisava trabalhar; tinha muitos sem terra nenhuma ou com pouca terra para servir-lhe. As ferramentas eram para o cultivo eram as mais simples possíveis, uma extensão mesmo do braço e da mão. A terra arada com um arado puxado por quatro ou seis bois, enquanto o candeeiro ia à frente, geralmente o mais novo; não raras vezes uma criança, o adulto segurava o arado com maestria para não deixar quebrar-lhe o bico nas raízes ou pedras que ainda ficavam no solo.

A alimentação da família era farta mas com pouca variedade. Criava-se galinhas e alguns porcos, pois tudo era cozido com banha de porco. A carne era cozida e conservada dentro de uma lata no meio da banha, por isso a famosa carne de lata do interior. Enfim a vida era muito simples e as condições precárias. Nunca houve tempo bom para o trabalhador rural num país que sequer fez reforma agrária.

O sonho da maioria dos trabalhadores rurais era que pelo menos seus filhos não permanecessem na roça. Uma pequena minoria engajada em movimentos sociais no campo é que despertava para a necessidade de uma revolução, onde cada um pudesse ter sua própria terra e condições para produzir nela. Esse sonho meio que se realizou por caminhos tortos. Grande parte da população rural foi obrigada a migrar para as cidades e vender lá sua força de trabalho por valores muito baixos.

Revolução Verde” da morte

Foi na década de 1970 que a população urbana ultrapassou a rural e foi nessa década que foi lançado um veneno muito conhecido hoje pelo nome de Roundup (pronuncia-se randap). Hoje seu uso é generalizado e não apenas os agricultores têm feito uso extensivo deste produto.

Também na cidade ele tem sido usado até para fazer a “limpeza” de terrenos baldios, calçadas, ruas com paralelepípedos, pequenas hortas, etc. O pequeno agricultor se vê obrigado à usá-lo sob pena de não poder manter suas plantações visto que é incapaz de pagar por mão de obra.

O Roundup é um pesticida produzido pela empresa Monsanto. Na década de 1990, vieram os grãos geneticamente modificados capazes de suportar grandes quantidades do veneno no combate a ervas daninhas.

De lá pra cá, a Monsanto fez muita propaganda enganosa a respeito do veneno inclusive de que ele seria biodegradável; mas após ser condenada na França e nos próprios Estados Unidos, a empresa foi obrigada a retirar do rótulo das embalagens a falsa informação.

Paralelamente a difusão do veneno, pequenas, mas sérias pesquisas, quase sempre negligenciadas pelas autoridades, foram mostrando a relação entre o seu uso e diversas doenças como Alzheimer, autismo, anencefalia, câncer (cerebral, de mama, intestinal etc.), diabetes, depressão, doenças cardíacas e hepáticas, doença de Parkinson, doenças respiratórias e muitas outras. Em 2009, o francês Gilles-Eric Séralini, professor de biologia molecular, publicou sua pesquisa feita com células de recém-nascidos, onde constatou que o Roundup matava as células em poucas horas.

A Monsanto produz para matar

A Companhia Monsanto é uma indústria multinacional de agricultura e biotecnologia. Situada nos Estados Unidos é a líder mundial na produção do herbicida glifosato, vendido sob a marca Roundup. Também é, de longe, o produtor líder de sementes geneticamente modificadas (transgênicos), respondendo por 70% a 100% do market share para variadas culturas…. Hoje já está dominando o mundo.” (Wikipedia.com) É a maior produtora de herbicidas do mundo.

Durante a Guerra do Vietnam (1961-71), os Estados Unidos usaram cerca de 100 milhões de litros do chamado “Agente Laranja” que era pulverizado nas florestas para desfolhar as árvores e tirar a camuflagem dos Vietcongs. Até hoje os efeitos das dioxinas (um tipo de toxina) podem ser verificados na população bem como nos veteranos de guerra que solicitaram pesquisas para entrarem com pedidos de indenizações. Entre as desgraças mais comuns foram detectados problemas respiratórios e câncer.

Hoje pesquisas feitas por cientistas norte-americanos relacionam as altas taxas de crianças com síndrome de Down e desfiguração facial extrema entre as crianças vietnamitas (estimativas apontam 150 mil), quase cinquenta anos após o fim da guerra. A Monsanto e a Dow Chemicals eram quem produziam essas toxinas para serem despejadas sobre a população vietnamita.

Contudo, além do uso diretamente na guerra, com o objetivo de matar, a Monsanto produz herbicidas que têm envenenado o meio ambiente, a população em geral e causado enormes danos a saúde humana e de outros animais.

Lei de “Cultivares”

Em 1997 foi aprovada no Brasil a Lei de Proteção de Cultivares (LEI Nº 9.456 de 25.04.97), sob o pretexto de que as empresas que fazem pesquisas de plantas gastam milhões, a lei proíbe que os agricultores tenham retirem sementes das suas próprias plantações. Ou seja, todos têm que comprar a semente da empresa que investiu na pesquisa naquela planta. Ficou estabelecido, portanto, o monopólio privado da propriedade dos vegetais no Brasil. Imediatamente a Monsanto se pôs a comprar empresas brasileiras como a Paraná Sementes e a Agroceres.

Tornando-se praticamente um monopólio da Monsanto toda a produção de sementes e pesquisas no Brasil, foi bastante propagandeado que a Lei de Proteção de Cultivares não era como a lei de patentes, pois outras instituições e pessoas poderiam usar aquela planta geneticamente modificada para produzir outra mais “evoluída”, nada mais falso porque a Monsanto praticamente ficou sem concorrentes. Por enquanto, não é uma legislação que abrange todos os tipos de vegetais, mas é claro que a Monsanto trabalha neste sentido.

Hoje o Glifosato (Roundup) é o agrotóxico mais usado no Brasil, compatível com as sementes geneticamente modificadas pela Monsanto, Syngenta, Bayer, Basf, Dow e Dupont. Diversos organismos científicos e políticos têm tentando a sua proibição mundo afora, mas o peso das grandes multinacionais se vê pelo nome. O lucro mais uma vez se sobrepõe a qualquer vantagem sobre a saúde dos seres humanos e do Planeta.

Levante ! Organize-se! Lute!
A hora de Lutar é Agora!

close

🕶 Fique por dentro!

Deixe o trabalho difícil para nós. Registe-se para receber as nossas últimas notícias directamente na sua caixa de correio.

Nunca lhe enviaremos spam ou partilharemos o seu endereço de email.
Saiba mais na nossa política de privacidade.

Artigos Relacionado

Deixe um comentário

Queremos convidá-lo a participar do nosso canal no Telegram

¿Sin tiempo para leer?

Ouça o podcast da

Gazeta Revolucionaria