O Goldman Sachs seria socialista?
Um dos cinco maiores bancos norte-americanos quer abocanhar tudo o que puder e mais um pouco da especulação financeira na China.

O Goldman Sachs seria socialista?

Aproveitando o recente aumento da “liberalização” da especulação financeira na China, o Goldman Sachs anunciou que irá comprar todas as ações de Beijing Gao Hua Securities na parceria (joint venture) Goldman Sachs Gao Hua, que no momento somam 51% do total.

Este processo foi acelerado na China a partir do XVIII Congresso do PCCh (Partido Comunista Chinês) que aconteceu em outubro de 2017, quando a pressão da crise capitalista tinha escalado no país.

Nas últimas duas décadas, a China aumentou o mercado de títulos financeiros em 16 vezes para US$ 14 trilhões, superando o Japão e convertendo-se no segundo maior do mundial, somente atrás dos Estados Unidos.

Em outubro, o JPMorgan tinha aumentado a participação na sua própria joint venture para 71%, convertendo-se assim no primeiro banco norte-americano a obter a maioria na China. Neste ano, deverá obter os 100%.

A especulação financeira avança a todo vapor na China. O Índice CSI 300de Shangai e Shenzhen cresceu 22% neste ano, em plena pandemia.

O que está acontecendo na China?

A China é um país socialista? Capitalista? Ou híbrido?

Na realidade, não há nenhuma bruxaria. A China é um país capitalista, com todas as leis do capitalismo em pleno funcionamento, principalmente nos últimos 20 anos.

A China é uma potência em franco desenvolvimento, que precisa desesperadamente conquistar novos mercados até para descomprimir a própria crise interna, que é proporcional à gigantesca população e contradições sociais.

Uma boa parte do desenvolvimento chinês têm como base o fato de ter acontecido ali uma revolução onde a burguesia foi expropriada e o planejamento estatal foi colocado em pé. Isso não significa que tenha havido ali uma revolução socialista já que o capitalismo nunca foi superado, a começar pela sua lei principal, a lei do valor trabalho.

No processo de desenvolvimento da China como uma potência imperialista aparecem dois planos principais.

O Novo Caminho da Seda que visa aumentar a produção de mercadorias e envia-la à Europa por meio de vias rápidas, envolvendo um grande número de países.

O Made in China 2025 tem como objetivo aumentar a fatia no mercado de alta tecnologia. Obviamente, o imperialismo não irá ficar de braços cruzados perante o aumento do poderio chinês.

Os ataques contra a Huawei e outras empresas chineses. O cancelamento da compra da principal empresa de robótica alemã. O recente anuncio de que os chineses teriam desenvolvido um computador de tecnologia quantum muito mais poderoso que o da Google.

O aumento da pressão militar no Mar do Sul da China e contra o principal aliado a Rússia. E principalmente o super time “identitário” dos senhores da guerra nos Estados Unidos mostra que o imperialismo em crise não está para brincadeiras e que busca como “saída” para o brutal colapso capitalista em curso a guerra.

A China criaram uma base militar em Djibuti, da mesma maneira que a Rússia acabou de criar uma no Sudão, para onde acabou de enviar um navio nuclear. Mas os Estados Unidos tem mais de 850 bases no mundo, além de funcionar como uma super polícia mundial.

A China conseguirá dominar o coração do capitalismo: a especulação financeira?

O coração da economia capitalista mundial é a especulação financeira. Somente os “derivativos financeiros” movimentam mais de 10-20 vezes o PIB mundial, que já é muito parasitário. A China tenta entrar nesse clube fechado, internacionalizando o iuane e buscando o lugar ao sol no coração do capitalismo.

Como o fez há 40 anos em relação à industrialização tenta pegar o know-how com os “mestres” do Universo da especulação financeira, como os mega abutres capitalistas do Goldman Sachs, JPMorgan, Morgan Stanley, Citigroup, o RBS do Alpha Group da família real britânica etc.

Até aí normal. São todos negócios. No mundo contraditório do capitalismo em crise, os acordos vão da mão da “concorrência” que cada vez mais se confunde da “guerra econômica” como antessala da “guerra política” que é o passo anterior à guerra militar. Como disse o gênio militar de Bismarck, von Clausewitz a guerra é a continuação da política por outros meios.

Se trata da luta pelo controle do mercado mundial, o qual se relaciona com a própria sobrevivência. Está colocado para o próximo período uma grande guerra.

A pressão do tensionamento de todas as leis do capital impõem a queima de uma boa parte do capital fictício, que tem se convertido num dos componentes fundamentais para a reprodução ampliada do capital e a realização dos lucros.

O aumento da tecnologia ao mesmo tempo tensiona uma das principais leis do capitalismo, a reprodução ampliada do capital. A única mercadoria que produz valor é a força de trabalho.

A guerra e as brutais ditaduras militar que os abutres capitalistas colocam em pauta para pacificar as sociedades e poderem “pintar e bordar” vão da mão da outra cara da moeda, as revoluções.

A “esquerda” pode ter se passado no grosso, com mala e cuia para o lado da burguesia decadente. Mas ao mesmo tempo que esse fenômeno tem dificultado as lutas, tem tirado de cena o principal fator social de controle das massas. Essa “esquerda” agora somente atua a partir dos aparatos do estado.

Para o próximo período, está colocado o enfrentamento aberto entre a burguesia e os trabalhadores de todo o mundo.

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