Muito além de hackers

Muito além de hackers

(Matéria original publicada em julho de 2019)

O caso do vazamento das mensagens trocadas entre os membros da Operação Lava Jato, principalmente entre o juiz Sérgio Moro e o chefe dos procuradores federais, Deltan Dallagnol, continua ocupando as manchetes dos jornais. Nestes dias, a Polícia Federal prendeu quatro supostos hackers responsáveis por esses vazamentos, que imediatamente começaram uma delação premiada. Estes “hackers”, supostamente responsáveis por terem espionado as máximas autoridades da República, são tão grotescos que até o Windows (sistema operacional da Microsoft) usam nas suas “operações” (um hacker medianamente “decente” usaria pelo menos o Linux), num “remix” do caso ultra grotesco caso da facada fake que Adélio teria dado contra Jair Bolsonaro, e que, por esse motivo, o retirou, muito convenientemente, dos debates na campanha eleitoral no ano passado.

Por trás do jogo de cena montado para enganar incautos, temos uma operação promovida por gente que sabe muito bem o que está fazendo. E obviamente, dada a envergadura, só pode ter a mão, e o braço, do imperialismo envolvido. Para entender melhor os objetivos dessa operação é preciso considerar a política que o imperialismo tenta impor. Isso ficou evidente nos últimos dias, quando, por detrás da cortina de fumaça dos vazamentos, foi aprovada a “Reforma” (massacre) da Previdência com uma votação acachapante e sem nenhuma manifestação importante nas ruas do Brasil. A BR Distribuidora foi entregue praticamente de graça e a enxurrada das privatizações parecem garantir a entrega integral do Brasil ao grande capital imperialista.

Enquanto os ataques contra os trabalhadores aceleram, o regime continua em processo acelerado de fechamento. O imperialismo espera que uma grande desestabilização social deva eclodir e se prepara para enfrenta-la. Por enquanto, se vale da traição da burocracia sindical e dos movimentos sociais, que se soma à traição da esquerda integrada ao regime. Easses setores têm se integrado de maneira tão absoluta ao desenvolvimento do golpe de estado no Brasil que têm se embrenhado numa luta a morte para conservar pelo menos alguns dos seus privilégios. Mas obviamente a fraquíssima base de massas impede que a contenção da burocracia consiga conter grandes mobilizações de massas. Esse também é um dos componentes da fraqueza do próprio Lula, mesmo acumulando um grande potencial eleitoral, e do lulismo que cada vez mais tem sido colocado contra as cordas pela direita que está tomando conta do PT, o Grupo Mensagem ao Partido, de Fernando Haddad, Aloysio Mercadante, Zé Cardoso e Eugênio Aragão, dentre outros.

O regime está se fechando de maneira acelerada

Clique na imagem e veja O golpe militar como “saída” para a crise do regime

No Brasil, o golpe de estado tem se desenvolvido de uma maneira diferente dos golpes de estado promovidos pelos imperialismo norte-americano no período de Pós Guerra. Ao invés de golpes militares abertos, agora prioriza a estruturação de regimes dignos de provocar inveja no próprio Hitler, usando uma máscara pseudo democrática e colocando o Judiciário na linha de frente. Essa política prioritária não implica em que tenha abandonado os golpes militares e fascistas abertos, como o revelam os golpes bem sucedidos na Ucrânia (2013) e na Tailândia (2014), as tentativas falidas na Venezuela e a intervenção militar direta e/ou por meio de grupos mercenários no Oriente Médio, no Norte da África e no Afeganistão. A tentativa desesperada para começar uma guerra contra a Venezuela e/ou contra o Irã mostra que a agressividade do imperialismo não somente não tem diminuído se não que tem aumentado.

O grande capital precisa de uma guerra como o principal mecanismo de contenção do aprofundamento da crise capitalista mundial, dados os entraves que o brutal parasitismo colocam para estruturar uma política econômica capaz de dar estabilidade ao regime e conter o movimento de massas. A militarização das sociedades, uma nova divisão violenta do mercado mundial  e a destruição de forças produtivas em larga escala representam os principais componentes da “saída” capitalista à crise.

No Brasil, o estado policial militar continua adquirindo caraterísticas cada vez mais “orwelianas”. Os decretos relacionados ao GSI (Gabinete de Segurança Institucional) têm se acumulado desde 2018 e o transformaram no coração do estado policial militar brasileiro: 527 (2018), Medida Provisória 870 (1 de janeiro 2019), Decreto 9794 (dezembro 2018), Decreto 9819 (14 de maio de 2019), Decreto 9830 (junho 2019). Há um acúmulo de leis hiper reacionárias que deram forma ao arcabouço jurídico do estado de exceção que existe hoje, e que em grande medida foi aprovado nos governos do PT.

É evidente que os trabalhadores deverão entrar em movimento no próximo período. Os lampejos de ascenso que temos visto, e que nos últimos dias apareceram na continuidade das revoltas em Haiti ou nas manifestações que derrubaram o governador de Puerto Rico, por exemplo, deverão dar lugar a situações abertamente revolucionarias no próximo período.

É preciso agrupar os revolucionários com o objetivo de atuar na situação de ascenso no próximo período. É preciso propagandear e agitar entre os trabalhadores a necessidade de resistir à brutalidade dos ataques, apesar da fraqueza do “calendário de lutas” controlado pela burocracia.

Fora Bolsonaro e os militares!

Fora imperialismo e LavaJato golpista!

Construir a greve geral!

Por um governo de trabalhadores sem burgueses!

close

🕶 Fique por dentro!

Deixe o trabalho difícil para nós. Registe-se para receber as nossas últimas notícias directamente na sua caixa de correio.

Nunca lhe enviaremos spam ou partilharemos o seu endereço de email.
Saiba mais na nossa política de privacidade.

Artigos Relacionado

Deixe um comentário

Queremos convidá-lo a participar do nosso canal no Telegram

¿Sin tiempo para leer?

Ouça o podcast da

Gazeta Revolucionaria