Dada a profundidade da crise e das contradições, essa solução que no centro disputa o controle do mercado mundial só pode ter como pano de fundo uma grande guerra.

Eleições Estados Unidos: vem muito chumbo grosso aí

A campanha de Joe Biden/ Kamala Harris gastou US$ 1,6 bilhões. A de Donald Trump gastou US$ 1,5 bilhões.

A pressão para impor a vitória do Partido Democrata (PD) foi gigantesca. A fraude já tradicional escalou.

Os governadores democratas mobilizaram a Guarda Nacional para “controlar os trumpistas”.

Na Pensilvânia o PD impôs a contagem até 15 dias depois do comício. Em Wisconsin os começaram a contabilizar antes. Em Michigan e Wisconsin modificaram as leis de controle dos cadastros eleitorais para registrar-se no mesmo dia da votação, o que implica na falta de controle. Eles fazem parte dos seis estados contestado, onde a fraude foi mais escancarada, junto com Pensilvânia, Geórgia, Nevada e Arizona.

Antes destas eleições mais de 16 milhões de votantes eliminados do registro.

O voto por correspondência na pandemia foi aprovado em 32 estados. Esse voto não é secreto, contém os dados do votante. Quem iria verificar os dados e a assinatura. Quem verifica que quem preencheu os dados é realmente o votante. E ainda uma vez nos Correios quem controla?

Nos Estados Unidos não há uma autoridade eleitoral nacional. Cada estado define os circuitos eleitorais, quando e como se irá votar; habilitação de votantes e partidos políticos; tudo.

Há 12 partidos com candidatos presidenciais, mas tiram poucos votos. A pressão do capital é gigantesca.

O presidente é eleito pelo Colégio Eleitoral. Quem vence em um estado leva todos os votos desse estado, com a exceção de pequenas diferenças que há em New Hampshire e Nevada

Não há documento nacional de identidade; é emitido pelo estado. É possível votar com carteira de motorista ou até fatura de cartão de crédito.

Não há fiscais eleitorais.

A fraude da votação e contagem digital pela NSA (Agência Nacional de Segurança) é mais do que provável.

Em Nova Iorque se inscreve um partido político com 4.000 assinaturas. Em Montana em termos proporcionais se precisam cem vezes mais.

O “fascismo” burocratizado controlando o fascismo de massas

As medidas aplicadas pelos governos Obama engendraram o trumpismo.

Estados Unidos está em brutal crise social, econômica e política que vem pelo menos desde 2008. De fato, a crise tinha escalado desde o final da década de 1990, quando já tinham acontecido vários estouros regionais em várias partes do mundo.

Em torno a 60 milhões de pessoas estão cobrando o seguro desemprego.

Trump se apresenta como alguém de fora do establishment, que acusou todos os políticos tradicionais de corruptos.

Dos 10 principais médios de comunicação nos Estados Unidos somente a FoxNews apoiou Trump e ainda de maneira parcial.

A vitória de Biden/ Harris é a vitória direta do complexo industrial militar. Mas houve um custo; a política fascista de massas de Trump não foi liquidada, até porque para isso acontecer seria preciso uma retomada da economia com geração acelerada de empregos.

trumpismo como movimento fascista de massas, continua

Quando Trump disse que houve fraude colocou em xeque os sistemas de legitimidade

Trump tirou pelo menos cinco milhões de votos a mais que há quatro anos. E Biden apesar das manobras venceu por uma vantagem muito pequena; muito longe das previsões da grande imprensa de que seria uma vitória arrasadora apoiada pelo “povo”,  pelas mulheres, negros e hispânicos.

Apesar do caso George Floyd, mais negros votaram em Trump; em torno a 12% do total contra 6% em 2016.

No caso dos hispanos,  foram 32% contra 25% em 2016.

Até mais mulheres votaram em Trump.

Trump ganhou inclusive na Florida. Somente perdeu na votação dos operários sindicalizados que representam o 8% do total nos Estados Unidos, e 6% nos operários industriais. Mesmo assim Trump levou o 45% desses votos.

Na prática, Trump tem sido melhor para os trabalhadores que Obama. A guerra comercial contra China reduziu as importações e limitou as fuga de empresas

A campanha anti ambiental protegeu empregos.

A eleição nos Estados Unidos foi além da disputa entre o PR e PD

A eleição não foi entre os partidos Republicano (PR) e Democrata (PD), mas entre setores da classe dominante. Entre políticas diferentes para defender o sistema.

506 ex altos funcionários de George Bush apoiaram Biden em cima da campanha “Trump nunca mais”. Mas 38% dos filiados ao PD votaram em Trump, inclusive muitos deputados e políticos estaduais.

O PR ficou com a maioria no Senado e com um número de deputados importante na Câmara dos Deputados.

Joe Biden é muito mais pro sionista e anti afro-descendentes que Trump.

Kamala Harris aprovou várias leis contra os negros e até tirou sarro dos negros presos quando era procuradora geral da California.

Mike Pence, o vice de Trump, não é abertamente racista, embora seja religioso.

Trump quer se enfrentar a China e chegar a acordos com Rússia. Biden busca enfrentar-se aos dois apoiando-se na União Europeia.

Bolton nas suas memórias, disse que Trump era contrário à invasão de Venezuela ou do Irã. Trump lhe disse que seus votantes não apoiariam. Isso não implica em que Trump deixaria de apoiar uma invasão realizada por exércitos de outros países ou por mercenários.

Na capa do Jornal The Washington Post do dia seguinte à eleição, 4 de novembro, dizia: Trump não tem provas de fraude. Mas lendo o Jornal nos encontramos com que no condado de Willow em Wisconsin, um funcionário eleitoral desapareceu com as urnas, ao mesmo tempo em que lhe davam a vitória a Biden. Quando os fiscais de Trump conseguiram ingressar na recontagem de votos em Wisconsin, onde Biden teria vencido por 60 mil votos, às 4:00 da manhã, apareceram 120 mil votos por Correios sem saber de onde tinham aparecido.


A crise mundial e as eleições nos Estados Unidos

A crise capitalista avança a todo vapor nos Estados Unidos rumo a um novo colapso de proporções nunca vistas antes. Pelo menos a metade das micro, pequenas e médias empresas se encontram à beira da bancarrota.

As super grandes empresas, as TBFT (Muito Grande Para Falirem) têm sido resgatadas, mas o sistema de conjunto se encontra fraco como nunca o este antes.

Imprimir US$ 12 trilhões sem lastro produtivo, simplesmente imprimindo-os, com uma economia paralisada, somente aumenta o volume de capital fictício, não produtivo, no mercado. Obviamente, essa política aumenta os lucros dos receptores, mas não implica em que a economia esteja melhorando.

Outros momentos em que os grandes capitalistas tiveram lucros em proporções semelhantes foi nos períodos anteriores à crise de 1929 e à de 2008.

O Tesouro norte-americano até tentou emitir títulos da dívida pública por 50 e 100 anos. Não houve suficientes compradores interessados. Até normal, considerando que os abutres capitalistas funcionam anabolizados por recursos públicos.

Hoje há o maior déficit e endividamento da história. É de US$ 82 mil por pessoa, US$ 220 mil por cidadão que paga impostos, US$ 2,17 milhões quando são consideradas as dívidas da Seguridade Social. E tudo ainda aumentando em progressão geométrica.

As taxas de juros super baixas têm como objetivo reduzir o custo dos serviços da máquina estatal e da dívida pública. Devido aos altos volumes de crédito no mercado, uma subida das taxas levaria a sociedade inteira à bancarrota. Levar as taxas para terrenos negativos, como foi feito em países europeus, colocará ainda pressão sobre a economia de conjunto.

A política central oficial dos Estados Unidos passa por aumentar de maneira exponencial o endividamento.

Uma Nova Ordem Monetária Mundial

Com as emissões de dólar sem limites, a pressão monetária é enorme. Somente no setor de varejo há circulante. O melhor negócio se tornou a especulação nas bolsas, o que, considerando a paralisia da produção, aumenta a bolha que em qualquer momento pode estourar.

Os preços das ações e das matérias primas que viram os preços disparar nos últimos seis meses deverão despencar em um ou dois anos.

Os preços dos produtos de consumo poderão aumentar devido à recessão e às atividades especulativas que freiam o consumo.

Quando as taxas de juros foram na prática suprimidas desde 2008, essa política alimentou uma gigantesca e imparável bolha financeira. Quanto mais crescer, mais violento será o estouro. O impacto do estouro deverá ser maior nos países atrasados.

Considerando a especulação com derivativos financeiros, o endividamento mundial é de algo entre 10 e 20 vezes a produção mundial anual.

Os super grandes capitalistas tentam como saída impor o dinheiro digital com toda uma série de mecanismos para deixar um mundo em que o “1984” de George Orwells aparece como um jogo de crianças.

Uma Nova Ordem Monetária Mundial, controlando em termos digitais e com mão de ferro todos os bancos centrais, é incapaz de resolver os problemas intrínsecos ao capitalismo, que tem as próprias leis de funcionamento. Uma nova moeda digital mundial. Para implanta-la, os super capitalistas se verão obrigados a atuar a partir do colapso da especulação nas bolsas e da economia mundial. Na reconstrução seria imposta a nova ordem.

Dada a profundidade da crise e das contradições, essa solução que no centro disputa o controle do mercado mundial só pode ter como pano de fundo uma grande guerra.

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