A 20 anos do “Argentinazo” (19 e 20 de dezembro)
O samba tá ficando quente!

A 20 anos do “Argentinazo” (19 e 20 de dezembro)

O colapso das chamadas políticas neoliberais.

A dimensão histórica da Rebelião Popular de dezembro de 2001 encontrou seus principais obstáculos na ausência da classe trabalhadora organizada daqueles dias e no notório atraso na construção de uma alternativa política revolucionária, obstáculos com os quais colidiu o processo em curso e que definiu as limitações ao seu desenvolvimento.

O erroneamente denominado “Argentinazo” de 2001 foi uma rebelião democrática contra as instituições democráticas que não teve uma ação independente do movimento sindical.

A participação mais importante da classe operária se deu por meio dos movimentos de desempregados – piquetes – aos quais aderiu grande parte da pequena burguesia.

O termo “azo” foi cunhado no período de boom do “Cordobazo” de 1969. A característica típica do “Cordobazo” e do “Rosariozo” era a predominância do movimento operário com uma presença de liderança e direção independente.

Os “azos” foram essencialmente proletários e violentos. Não havia sentido proletário como nos “azos”. Quem mal instituiu este conceito de “argentinazo” foram todos os grupos “trotskistas” e o grupo “maoísta” PCR (Partido Comunista Revolucionário).

Todos eles confundiram uma situação de crise de governança com uma situação revolucionária inexistente. O clamor popular “Que vão todos embora!” não era nada parecido com o “governo operário e popular” reivindicado no “Cordobazo”.

O fator fundamental no auge da luta foi o movimento dos desempregados e contra a fome. A classe trabalhadora dificilmente participava e a questão da luta pelo poder nunca foi levantada, exceto pela consideração de que as assembleias populares (fundamentalmente da classe média) eram embriões de poder dual. Tratava-se de outra fantasia. As assembleias eram muito democrática – “horizontalistas”- mas não pareciam um corpo alternativo de poder.

As assembleias nunca tiveram as características das coordenadoras de fábrica de 1975. Em 2001 a sindicalização não chegava nem a 50%. Não havia condições sociais para propor “conselhos de trabalhadores”.

Uma experiência importante porque poderá repetir-se em breve

A política revolucionária deveria ter sido propor palavras de ordem transitórias no sentido de “extrema democracia”, como a renúncia de todos os governos nacionais e provinciais e uma Assembleia Constituinte.

Os grupos de esquerda, com tal programa, poderiam ter desempenhado um papel importante. Mas a esquerda se empenhou, na prática, em liquidar as assembleias tentando impor palavras de ordem radicalizadas que acabaram amedrontando os membros das assembleias; e ainda o faziam por meio de métodos arrogantes.

A correlação de forças diante de um poder que se decompunha era tão fraca que nem mesmo a unidade de palavras de ordem ou eleitoral foi alcançada, o que teria sido muito importante. Os órgãos do poder popular são cultivados com o tempo e florescem em situações revolucionárias.

Nada disso existia. A incompreensão de que se tratava de uma rebelião democrática (não revolucionária), mas que se enfrentava a democracia (existente), impedia que esse fenômeno democrático tivesse um curso revolucionário. A solução burguesa foi fortalecida, que reconstruiu a institucionalidade.

O revolucionário teria sido instigar o impulso democrático massivo e fazê-lo colidir com a institucionalidade democrática burguesa.

A política de combinar a assembleia burguesa com os órgãos de poder dos trabalhadores (era isso que não existia!) nunca deve levantar-se.

Delírios semelhantes foi o que levou à derrota de revoluções triunfantes, como a Revolução Boliviana de 1952 (a única parcialmente liderada por um partido “trotskista”), e à contenção de várias situações revolucionárias.

Onde a burguesia e os latifundiários votam, só pode resultar o engano dos trabalhadores e traições sem fim. E mesmo que hipoteticamente, as reivindicações triunfem, sem o controle do poder estatal será impossível colocá-las em prática; e até o que é posto em prática será eliminado a seguir.

O único modo do povo realmente conseguir uma vida digna é acabando com as bases do capitalismo e mudando o sistema!

Levante ! Organize-se! Lute!
A hora de Lutar é Agora!

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